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PROPÓSITO
COMO PROJETOS

Transformei movimento em recurso e visibilidade em apoio real. E, nesse tipo de projeto, a direção criativa não é “acabamento”. É infraestrutura de resultado.

​Há eventos que entram na agenda como “mais uma entrega”. E há eventos que reorganizam a forma como a gente enxerga trabalho, impacto e legado. A Corrida GRAACC e o GRAACC Futebol Clube pertencem ao segundo grupo — porque não são apenas ativações de calendário: são plataformas de mobilização social e de sustentação de um hospital referência no tratamento do câncer infantojuvenil.

 

O que conecta as duas iniciativas é simples e poderoso: elas transformam movimento em recurso e visibilidade em apoio real. E, nesse tipo de projeto, a direção criativa não é “acabamento”. É infraestrutura de resultado.

Foi dentro dessa visão que nasceu um ponto central do meu trabalho: eu criei o conceito de que a Corrida seria “Super-Heróis”. Não como um tema “bonito”, mas como uma tradução fiel do que acontece ali: crianças que enfrentam, com leveza, coragem e presença, algo que para qualquer ser humano é devastador. Se existe heroísmo real, ele não está na fantasia — está no cotidiano dessas famílias.

 

A direção criativa como motor de performance (não como estética)

A maior diferença entre um evento “bonito” e um evento “efetivo” está na capacidade de organizar a experiência — antes, durante e depois — para que as pessoas:

  1. entendam a causa em segundos;

  2. se sintam parte de algo maior;

  3. tenham clareza do que fazer (participar, doar, compartilhar, apoiar).

 

É exatamente aqui que entra o meu trabalho: transformar intenção em execução, com uma linguagem visual e operacional que sustenta o evento do início ao fim.

Nos dois eventos, a direção criativa foi a camada que deu coerência para tudo o que o público viu, tocou e lembrou:

  • Peças gráficas e digitais (convite, redes sociais, anúncios, comunicados, landing page, sinalização digital)

  • Peças impressas (credenciais, placas, backdrops, materiais de orientação, folders, mapas)

  • Apoio na organização (fluxos, sinalização, pontos de entrada e saída, “o que acontece onde”)

  • Camisetas e uniformes (identidade, pertencimento, leitura rápida do evento)

  • Banners do estádio e comunicação de arena (visibilidade, narrativa de causa, patrocinadores, chamadas de apoio)

 

Em outras palavras: o meu papel foi garantir que a causa fosse compreendida, respeitada e amplificada, sem ruído e sem dispersão.

 

Corrida GRAACC: “Super-Heróis” como conceito — e como sistema de experiência

Na corrida, a identidade visual não é só arte — é orientação. Ela precisa funcionar em múltiplos pontos de contato: inscrição, retirada de kit, largada, percurso, chegada, fotos, palco e pós-evento.

Ao criar o conceito “Super-Heróis”, meu objetivo foi dar ao evento uma linguagem que resolvesse três desafios ao mesmo tempo:

  • Traduzir a causa com respeito, sem dramatização vazia.

  • Gerar pertencimento imediato, porque “Super-Heróis” é uma chave emocional clara e mobilizadora.

  • Elevar a energia do evento, mantendo o foco no essencial: as crianças — e a estrutura que as sustenta.

 

Quando a direção criativa entra com método, a corrida ganha três efeitos práticos:

  • Clareza operacional: menos confusão, mais fluidez, menos atrito.

  • Pertencimento: camiseta e comunicação viram “uniforme de causa” — as pessoas se veem como parte do movimento.

  • Memória e continuidade: o evento não acaba na chegada; ele continua no feed, nas fotos e no boca a boca.

 

E, nesse ponto, o conceito “Super-Heróis” faz diferença porque organiza narrativa e estética em torno de um significado real: crianças que encaram o impensável com uma força que inspira qualquer adulto.

 

GRAACC Futebol Clube: narrativa em campo, mensagem em escala

No Futebol Clube, a dinâmica é diferente: ali o desafio é usar o esporte como linguagem para amplificar a causa, em um ambiente de arena — grande, ruidoso, emocional e altamente visual.

Nesse contexto, tudo o que eu produzi (camisetas, banners, placas, peças de mídia, comunicação de estádio e materiais de apoio) teve um objetivo central: fazer a causa aparecer com força, sem perder o respeito.

Porque em um jogo solidário, a estética precisa cumprir um papel delicado:

  • sustentar a energia do futebol,

  • sem transformar a causa em “campanha vazia”,

  • e garantindo que o público associe entretenimento a responsabilidade.

 

Quando a direção criativa acerta, o estádio vira mídia — e a mídia vira mobilização.

O que isso mudou em mim (e por que transformou minha vida)

 

Participar desses dois projetos me colocou diante de uma verdade incômoda (e libertadora): trabalho bom não é o que dá mais status; é o que dá mais sentido.

A direção criativa em eventos como esses muda a gente porque ela nos obriga a elevar o padrão em três dimensões:

  1. Rigor: não existe “mais ou menos”. Tudo precisa funcionar.

  2. Empatia: cada detalhe impacta pessoas reais, em uma causa real.

  3. Responsabilidade: quando você entende o peso do que está ajudando a sustentar, você para de romantizar e começa a executar com mais consciência.

 

No meu caso, esses eventos me deram algo que eu não compro em curso e não extraio de “projeto bonito”: a sensação concreta de utilidade. De saber que minha entrega ajudou o evento a acontecer melhor, a comunicar melhor e a mobilizar melhor.

E quando você vive isso, duas coisas mudam:

  • você ganha mais disciplina e padrão de excelência;

  • e você passa a escolher projetos com mais critério — porque entende o que realmente vale a pena.​

 

O elo final: por que direção criativa é parte do tratamento (mesmo sem parecer)

No fim do dia, Corrida GRAACC e GRAACC Futebol Clube são mecanismos de captação e conscientização. E mecanismos só funcionam quando cada engrenagem entrega o seu papel.

A direção criativa é uma dessas engrenagens: ela organiza a experiência, dá coerência, sustenta patrocinadores, melhora fluxo, aumenta adesão e amplia a mensagem.

E é por isso que eu valorizo tanto ter participado: porque eu não “fiz peças”. Eu ajudei a construir um ambiente onde a causa era vista, entendida e apoiada.

E, no caso da Corrida, eu tenho um orgulho específico: o conceito “Super-Heróis” foi uma criação minha, porque, para mim, ele não é metáfora. É reconhecimento. Essas crianças são heróis porque enfrentam com leveza aquilo que nenhum de nós gostaria de encarar.

 

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